CRÔNICAS
 

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                        NELSON MARINS

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   O MUNDO QUE EU QUERO   

   

 

 

      

O mundo que eu quero tem na saúde o seu paradigma: onde cada um tenha muito mais anos em sua vida e mais vida em seus anos; onde cada um possa desenvolver, em toda plenitude, os seus potenciais físicos, emocionais e espirituais.

 

O mundo que eu quero tem na comunicação o seu paradigma: comunicação eficaz e congruente – verbal e não-verbal – que leve ao entendimento; entendimento que leve à ação; ação que leve ao trabalho conjunto em busca da harmonia, do crescimento e do aperfeiçoamento contínuos.

 

O mundo que eu quero tem no amor o seu paradigma: o amor incondicional a si mesmo, o amor à companheira, ao companheiro, aos filhos, aos netos, bisnetos, aos pais, respeitadas e celebradas as individualidades; o amor à família, como síntese, treinamento e trampolim para o amor universal, em que – antes da primeira palavra e do primeiro gesto – cada mulher é minha irmã, cada homem é meu irmão; onde cada desconhecido seja uma esperança e não uma ameaça.

 

Um mundo onde não haja inibições, pudor ou culpa em se falar de amor, em se expressar o amor, em se fazer amor. Um mundo feliz, próspero, sem guerras, traições, crueldades, misérias, onde cada ser humano seja o seu mais valioso patrimônio; onde as crianças sejam amadas e não brutalizadas ou assassinadas; onde os idosos sejam reverenciados e não rejeitados; onde os adultos sejam respeitados e não usados e descartados. Onde todos sejam livres e responsáveis! Onde o ser seja mais importante do que o ter.

 

O mundo que eu quero poderá ter até hierarquias, mas não castas ou mais-valias. Para não se tornar monótono, insípido, poderá até conviver com pequenas espertezas, ser tolerante com discretas patifarias, complacente com incipientes trampolinagens.

 

O mundo que eu quero não é uma utopia, mas a sua conquista requer um compromisso total, um imenso e permanente esforço na mudança de numerosos paradigmas. Faz-se urgente que se substitua, por exemplo, o conceito cínico de política, expresso por Lampedusa, “... como a arte de mudar alguma coisa para que nada se modifique” para o conceito da arte de transformar um sonho, um projeto, em realidade através do diálogo e do trabalho. É preciso formar, desde já, sem um segundo de hesitação, uma massa crítica, multiplicadora, que – a médio e a longo prazo – permita reprogramar os cérebros dos que têm o poder da decisão e o monopólio da informação e do conhecimento, a fim de que o mundo que eu quero seja o mundo do melhor possível.

 

No mundo que eu quero a metáfora é que cada ser humano possa e deva ser como os moinhos: os pés firmemente plantados na terra e os braços alçados em direção às estrelas.

  

        

         Publicado: 12.12.2003

 

    

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