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O
mundo que eu quero tem na saúde o seu paradigma: onde
cada um tenha muito mais anos em sua vida e mais vida em seus
anos; onde cada um possa desenvolver, em toda plenitude, os
seus potenciais físicos, emocionais e espirituais.
O mundo que eu quero tem na
comunicação o seu paradigma: comunicação eficaz e
congruente – verbal e não-verbal – que leve ao entendimento;
entendimento que leve à ação; ação que leve ao trabalho
conjunto em busca da harmonia, do crescimento e do
aperfeiçoamento contínuos.
O mundo que eu quero tem no
amor o seu paradigma: o amor incondicional a si mesmo, o
amor à companheira, ao companheiro, aos filhos, aos netos,
bisnetos, aos pais, respeitadas e celebradas as
individualidades; o amor à família, como síntese, treinamento
e trampolim para o amor universal, em que – antes da primeira
palavra e do primeiro gesto – cada mulher é minha irmã, cada
homem é meu irmão; onde cada desconhecido seja uma esperança e
não uma ameaça.
Um mundo onde não haja
inibições, pudor ou culpa em se falar de amor, em se
expressar o amor, em se fazer amor. Um mundo
feliz, próspero, sem guerras, traições, crueldades, misérias,
onde cada ser humano seja o seu mais valioso patrimônio; onde
as crianças sejam amadas e não brutalizadas ou assassinadas;
onde os idosos sejam reverenciados e não rejeitados; onde os
adultos sejam respeitados e não usados e descartados. Onde
todos sejam livres e responsáveis! Onde o ser seja mais
importante do que o ter.
O mundo que eu quero poderá ter
até hierarquias, mas não castas ou mais-valias. Para não se
tornar monótono, insípido, poderá até conviver com pequenas
espertezas, ser tolerante com discretas patifarias,
complacente com incipientes trampolinagens.
O mundo que eu quero não é uma
utopia, mas a sua conquista requer um compromisso total, um
imenso e permanente esforço na mudança de numerosos
paradigmas. Faz-se urgente que se substitua, por exemplo, o
conceito cínico de política, expresso por Lampedusa, “... como
a arte de mudar alguma coisa para que nada se modifique” para
o conceito da arte de transformar um sonho, um projeto, em
realidade através do diálogo e do trabalho. É preciso formar,
desde já, sem um segundo de hesitação, uma massa crítica,
multiplicadora, que – a médio e a longo prazo – permita
reprogramar os cérebros dos que têm o poder da decisão e o
monopólio da informação e do conhecimento, a fim de que o
mundo que eu quero seja o mundo do melhor possível.
No mundo que eu quero a metáfora
é que cada ser humano possa e deva ser como os moinhos: os pés
firmemente plantados na terra e os braços alçados em direção
às estrelas.
Publicado:
12.12.2003
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