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Nelson Marins |
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Dos infortúnios de um exame urológico |
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Muitas vezes a realidade mostra-se mais criativa do que a própria ficção.
Há algum tempo, contou-me um amigo que foi ao urologista por apresentar sintomas de infecção urinária. Após a consulta, o esculápio solicitou diversos exames, entre os quais uma cultura de esperma.
Acontece, curioso leitor, que o nossa amizade sempre teve ojeriza pela auto-masturbação. Exceto quando púbere, em que participara de vários campeonatos de velocidade, distância e resistência, também chamada de maratona. Isto é: o primeiro a ejacular, o que o fazia mais distante, e o que conseguia tocar o maior número de bronhas. Segundo ele, este último, compreensivelmente, o mais exaustivo. E que até obtivera excelentes desempenhos nas três modalidades (Ocorreu-me perguntar se não tivera a oportunidade de atuar nas categorias revezamento ou com barreiras, mas considerei indelicado fazê-lo).
Assim, encontrava-se o nosso herói em palpos de aranha. A esposa viajando, indisponíveis as namoradas pretéritas e presentes, eis que a entrega da mercadoria só poderia ser feita no meio da manhã. A hipótese de se valer dos relevantes serviços das meninas de Jean Mary Córner (atenção, revisão!) estava out of question.
Portanto, partiu o infeliz para o banheiro, com um frasco na mão e mil idéias na cabeça, onde iniciou – literalmente, cheio de dedos – o processo masturbatório. Depois de um tempo razoável e esgotado o repertório de suas memórias passadas, presentes e futuras...nada!
Ocorre, ansioso leitor, que o uropata é, antes de tudo, um forte. Dest’arte, interrompeu o ato, arrepanhou as revistas pornográficas que seu filho colecionava e voltou para o holocausto. Quinze minutos e muitas aflições depois: zero!
Já desesperado, posto que seu prazo de validade celeremente se esvaía, eis que irrompe-lhe a idéia salvadora. Viagra!!! Imediatamente aos comprimidos: tomou-os dois de uma vez. E assim, mesmo à meia bomba, mesmo com parte do material aspergindo-se pelas paredes, colheu o prêmio da sua persistência e criatividade. E entregou-o, contrito, a tempo e à hora, ao laboratório de análises clínicas.
Como se não bastasse este hilário episódio, em que a vida supera a arte, encontrei novamente o meu amigo, hoje, na sala de espera da mesma clínica urológica (sim, somos também colegas de vias urinárias e de próstata). Rimos às escâncaras ao recordar os acontecidos.
Cessado o frouxo de risos, perguntou-me quem era o meu urologista. Declinei-lhe o nome e, em seguida, quis saber qual era o do seu.
Juro, leitor incrédulo, que a resposta foi "Doutor _ _ _ _ _ _ _ PINTO!!!"
Publicado: 14.10.2005 © Nelson Marins
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