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- Mas
‘glória’ não significa um ‘argumento arrasador’, objetou Alice.
- Quando uso
uma palavra – disse Humpty Dumpty em tom escarninho – ela
significa exatamente aquilo que eu quero que signifique...nem
mais nem menos.
- A questão
– ponderou Alice – é saber se o senhor pode fazer as palavras
dizerem coisas diferentes.
- A questão
– replicou Humpty Dumpty – é saber quem é que manda.
E só isso.
(Lewis Carrol, Alice no País dos Espelhos).
Humpty
Dumpty, o enrolador, é aquele que usa palavras e frases
gramaticalmente bem estruturadas, porém sem o menor significado.
Usa e abusa de “salada de palavras”, de apontadores de
precisão – palavras que alertam o interlocutor para o perigo
da chegada de comunicação incompleta ou ineficaz. Políticos,
economistas, advogados e médicos são mestres nesta arte.
Para
defender-se dos Humpties Dumpties
que o aguardam em cada esquina
ou para não transformar-se num deles, aprenda a desafiá-los com
as perguntinhas do metamodelo de linguagem, modelo
que usa as palavras de um modo específico a fim de esclarecer o
seu significado.
Em discurso
no porto de Itajaí, durante o lançamento do navio Metaltanque
VI, o presidente Lula declarou: “Certos critérios de
contingenciamento recomendados por organismos internacionais
inviabilizam a própria consistência macroeconômica que tanto se
persegue. Por isso vamos percorrer novos rumos em estreita
parceria entre o Estado e a iniciativa privada”.
Quais
critérios de contingenciamento, exatamente, inviabilizam a
consistência macroeconômica? O abusivo superávit fiscal,
superior ao acordado pelo governo FHC? Os juros escorchantes da
dívida?
Quem está
contingenciando o quê e como isto está sendo feito? O presidente
da República, o ministro Pallocci, os diretores do Banco
Central? Em detrimento da área social, da educação, da saúde, da
criação de empregos? Com a reforma da previdência, extorquindo
aposentados e pensionistas?
Que
organismos internacionais recomendaram dito contingenciamento? O
FMI, o Banco Mundial ou a Anistia Internacional? E o que impede
o governo brasileiro de ignorar tais recomendações? O que
poderia acontecer se elas fossem ignoradas?
O que
significa, especificamente, consistência macroeconômica?
“Nenhum
de nós precisaria fazer discursos, mas ficar contemplando alguns
minutos o navio para nos darmos conta do potencial que nosso
país tem e não deveria estar na situação que está”.
Se não
precisava fazer discursos, então por que é que fez? Em que
contemplar um navio alguns minutos equivale a se dar conta do
potencial do nosso país? Na opinião de quem? De acordo com quais
critérios? Comparado com o potencial de que países?
Por que o
país está na situação que está e que não deveria estar? Houve
alguma mudança no modelo econômico? Vai haver? Quando? Como?
Bom mesmo
foi o discurso da companheira Marisa, que em vinte segundos deu
o seu recado, deixando de lado o texto preparado pelos Humpties
Dumpties oficiais.
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MINISTRO DO TRABALHO NÃO É PALIATIVO |
Em
entrevista a Marcio Aith (Folha de São Paulo, 27 de
julho), o Ministro Jaques Wagner brindou-nos com algumas
pérolas:
“Adotamos um
modelo com a preocupação de não permitir que se desorganizasse a
economia completamente, e é óbvio que esse modelo tem dois
lados. Para fazermos isso, restringimos o Orçamento e o
investimento. E é óbvio que, nesse aspecto, o modelo não
contribui”.
Homessa!
Quem adotou um modelo que restringe o Orçamento e o investimento
e que não contribui (para o desenvolvimento)? O ministro Wagner,
Palocci, Lula, José Dirceu, ou o FMI? A propósito, quais as
características do modelo e como sabe, especificamente, quem o
escolheu que seria o único ou o melhor? Comparado com que
outros e segundo quem? A partir de que critérios? Embora seja
preferível escolher um modelo do que não escolher nenhum, os
responsáveis pela escolha se tornam robôs. Se a escolha só
permite dois resultados, eles se encontram num dilema, para isso
bastando que a outra “variável” não funcione. Aliás, quem
poderia desorganizar completamente a economia? Os eleitores de
Lula, que nele votaram acreditando que seu governo mudaria o
modelo econômico, ponto inegociável do programa da campanha
eleitoral do PT, ou o “mercado”, cujo conceito abstrato oculta
especuladores nacionais e d’além mar? Para quem é óbvio que o
modelo só tem dois lados e que, nesse aspecto não contribui?
“Não, não sou um ministro paliativo. Não foi para isso que vim
ao governo...”
É
possível que o ministro não seja paliativo. Mas com estas
argumentações parece que se trata de um ministro genérico ou
similar. Ou, talvez, um ministro placebo.
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que Lula mudou
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