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“Daqui para a frente, gente,
não tem choro nem vela. A economia neste ano vai ser muito
melhor. Não existe lugar para o pessimismo nesse país”. (Luiz
Inácio da Silva – Folha de São Paulo , 13-02-2005)
Mais uma vez,
Mr. da Silva incorporou seu lado Polyanna, em discurso
durante inauguração de adutora no interior de Pernambuco.
Que “gente” não
mais vai ter motivos de chorar nem acender vela daqui em diante?
Os pensionistas e aposentados do serviço público? A classe média
proletarizada? Os trabalhadores de salário mínimo? Os 50 milhões
de eleitores traídos? Ou os banqueiros e investidores daqui e de
alhures? O FMI, os finórios mais recentes amigos de infância de
Davos? Ou os políticos pantagruélicos que fazem do Congresso um
reles balcão de negócios?
Como sabe o
companheiro presidente que a economia neste ano vai ser muito
melhor? Por acaso, Deus lhe telefonou? Ou o presidente acordou
invocado e ligou para o companheiro Bush? Teria sido a mãe Diná?
E a propósito, a (nossa) economia vai ser muito melhor do que a
da Nigéria, ou da Argentina, ou da herança maldita? E para quem,
caro Humpty, a economia vai ser muito melhor? Para os
responsáveis pelos rombos no Tesouro, para a auto-denominada
elite dirigente, para os inimputáveis corruptos e corruptores?
Para os lavadores do dinheiro do crime organizado? Ou para a
imensa manada de esquálidos, tristes e conformados bovinos a
caminho da entropia dos matadouros?
Em quais
critérios se baseia – e na opinião de quem? – o senhor
presidente, para afirmar que não existe lugar para o pessimismo
‘nesse país’? O oráculo de Delfos pessoalmente se comunicou com
Sua Excelência? A inflação está toda dominada? Os juros estão
baixando? A violência diminuiu? Os ladrões de casaca e de
colarinho branco-sujo já estão na cadeia?
Com todo o
respeito, companheiro presidente, felizmente, para o senhor e
para o seu bando* estão asseguradas as benesses e os
deslumbramentos do poder por muitos e muitos anos. Pois, como
Pitonisas, morreriam de fome.
* É imperativo
esclarecer que a palavra
bando
nesse contexto significa
grupo,
conforme definição do Planalto ante a perplexidade de oficiais
militares quando, em discurso, o companheiro Presidente
brindou-lhes com este vocábulo...
Publicado: 15.2.2005
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