HUMPTY DUMPTY

 

Humpty Dumpty rides again

 

 

      Nelson Marins

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O ministro do STF, Carlos Ayres Britto, relator do julgamento que derrubou o nepotismo no Poder Judiciário, saca com as duas:

“O acesso mais facilitado de parentes – por que não cognatos? –  (a cargos públicos) traz exteriores sinais de prevalência de critérios domésticos sobre os parâmetros da competência”.

Será que o ministro costuma falar assim? Mesmo em casa? Qual é a reação dos parentes e dos empregados? É por isso que os votos dos ministros, desembargadores e juizes são tão estrambóticos? E a justiça é injusta e revoltantemente lenta?

Quem facilita o acesso de parentes – e parentes de quem? – a cargos públicos? O lobo mau ou os próprios ministros e assemelhados? Como facilitam o acesso? Dando cursinhos pré-vestibulares pros parentes ou aplicam o “sabe com quem está falando?” do pistolão?

O quê exatamente quer dizer Sua Augusta Excelência com “exteriores sinais de critérios domésticos” e “parâmetros de competência” – e mais – quais as suas reais intenções em dizê-lo dessa forma? “Pour épater les bourgeois?”. Para demonstrar à patuléia a sua erudição, o seu notório saber? Ou disfarçar, sob o jargão, este segredo de Polichinelo?

Todo mundo sabe, ministro – está na cara –, que o que prevalece na nomeação de parentes (para os cargos públicos nos três Poderes) são os laços com$angüíneo$ em detrimento da competência.    

No mais, congratulações por se pronunciar contra o nepotismo na justiça.

Foto: www.stf.gov.br

Publicado: 21.2.2006

 

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