AO MIRANTE NELSON

 O VIÚVO PORCINO

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Nelson Marins

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Os companheiros Lula, Zé Dirceu, Genoíno, João Paulo, Mercadante, Palofi e seus epígonos são detentores do maior estelionato eleitoral - estelionato eleitoral, sim, em que pese a miopia neuronal do colunista Lula Miranda et caterva - da história republicana do país. Discípulos sem jaça de Antístenes de Atenas e de Diógenes de Sinope, não se pejam em abjurar suas convicções históricas, apodando-as, hoje, de bravatas, tratando - mais do que com a esperada convivência civilizada, com lenidade surpreendente, mais do que com leniência incompreensível, com admiração suspeitosa, o governo FHC e seus principais ministros, e deles se tornando meros clones. E, com isto, sem qualquer pundonor, destinando ao lixo suas pseudo-biografias de homens sérios.

 

      Todo ser humano, todo  político, todo  Partido tem o direito de mudar, desde que a mudança ocorra antes das eleições. Não foi para isto, que hoje testemunho, que votei em Lula e sua corja, em seu Estado Menor. Desde a ditadura militar, desde a fundação do PT, que acompanho, aprovo e voto na congruência destas figuras que até há pouco considerei emblemáticas. 

 

   "Queres conhecer um homem? Dê a ele um bastão de comando", diz a sabedoria popular. E nós, os eleitores - não os arreglos dos Partidos, não os conchavos dos governadores,  não o cambalacho do lamentável estamento político - nós, os eleitores o fizemos de modo histórico, comovente, comovido e consagrador. 

 

      E qual a resposta? Em tempo recorde, despiram-se estes farsantes das suas personas, deixando à mostra as sinistras carantonhas. Quanta jactância, quão deslumbrados os emergentes do poder, quanta ignomínia, covardia e felonia para com os aposentados, pensionistas e funcionários públicos - que jamais lhes faltaram em apoio - cujas justas reivindicações juraram defender!

 

      E no avesso, quanta cúmplice lhaneza aos obscenos lucros dos bancos e dos especuladores de sempre, quanta tolerância aos sonegadores de sempre, aos corruptos de sempre. Não me venham ao leito de borzeguins com as verdades absolutas de ekipekonômicas - desde o "ouro dos tolos" do milagre econômico do bolo de Delfin, dos bright teams de Zelia, Kandir e Eris, dos Bresser Jumbo Pereira (o do Plano, o do estelionatário Plano) Malan, Franco, e outros amanuenses, até o patético Malofi. Estes homens fantásticos e seus planos salvadores!

 

      E com nauseante arrogância e prepotência, com seletiva amnésia para promessas recentes, estigmatizam àqueles cujo único pecado é o de fiéis se manterem ao ideário do Partido. São eles os xiitas e radicais! Claro está que faz muito mais sentido para os neo- donos do Poder expulsar uma inconveniente Heloísa Helena e estender tapete vermelho para ACM, trocar o inexpressivo Babá pelo estadista Geddel - o que vai às compras.

 

      E decidem sempre em torno de uma mesa, com voracidade pantagruélica de cafés da manhã, almoços, jantares e churrascos,

dignos de uma fome atávica - fome zero!!! - só não maior do que seus apetites arrecadatórios.

 

      Quando infante, em priscas eras, aprendi nas aulas de Física que a matéria se apresentava em três estados: sólido, líquido e gasoso. Há menos de seis meses descobri um novo estado: o estado político, pela primeira vez descrito por Lampedusa. Estado interessante, sem trocadilho, eis que se transmuta nos já citados em velocidade proporcional ao alvitre dos seus detentores - quando não, simplesmente, se desmancha no ar. É neste estado em que hoje se encontram o Presidente Lula da Silva e a cúpula do seu (?) Partido, aos quais sugiro que se transfiram para o PSDB. É mais (fisio)lógico.

 

      Em síntese: durante longos anos acreditei, admirei, respeitei e votei em alguém que foi, sem nunca ter sido: no viúvo Porcino.

 

Publicado: 29 de junho de 2003

 

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