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Os
companheiros
Lula, Zé Dirceu, Genoíno, João Paulo, Mercadante, Palofi
e seus epígonos são detentores do maior estelionato
eleitoral - estelionato eleitoral, sim, em que pese a miopia
neuronal do colunista Lula Miranda et caterva - da
história republicana do país. Discípulos sem jaça de
Antístenes de Atenas e de Diógenes de Sinope, não se pejam
em abjurar suas convicções históricas, apodando-as, hoje, de
bravatas, tratando - mais do que com a esperada convivência
civilizada, com lenidade surpreendente, mais do que com
leniência incompreensível, com admiração suspeitosa, o
governo FHC e seus principais ministros, e deles se tornando
meros clones. E, com isto, sem qualquer pundonor, destinando
ao lixo suas pseudo-biografias de homens sérios.
Todo ser humano, todo político, todo Partido tem
o direito de mudar, desde que a mudança ocorra antes
das eleições. Não foi para isto, que hoje testemunho, que
votei em Lula e sua corja, em seu Estado Menor. Desde a
ditadura militar, desde a fundação do PT, que acompanho,
aprovo e voto na congruência destas figuras que até há pouco
considerei emblemáticas.
"Queres conhecer um homem? Dê a ele um bastão de comando",
diz a sabedoria popular. E nós, os eleitores - não
os arreglos dos Partidos, não os conchavos dos governadores,
não o cambalacho do lamentável estamento político - nós, os
eleitores o fizemos de modo histórico, comovente, comovido e
consagrador.
E qual a resposta? Em tempo recorde, despiram-se estes
farsantes das suas
personas, deixando à mostra as sinistras carantonhas.
Quanta jactância, quão deslumbrados os emergentes do
poder, quanta ignomínia, covardia e felonia para com os
aposentados, pensionistas e funcionários públicos - que
jamais lhes faltaram em apoio - cujas justas
reivindicações juraram defender!
E no avesso, quanta cúmplice lhaneza aos obscenos lucros dos
bancos e dos especuladores de sempre, quanta tolerância aos
sonegadores de sempre, aos corruptos de sempre. Não me
venham ao leito de borzeguins com as verdades absolutas de
ekipekonômicas - desde o "ouro dos tolos" do milagre
econômico do bolo de Delfin, dos bright teams
de Zelia, Kandir e Eris, dos Bresser Jumbo
Pereira (o do Plano, o do estelionatário Plano)
Malan, Franco, e outros amanuenses, até o patético
Malofi. Estes homens fantásticos e seus planos
salvadores!
E com nauseante arrogância e prepotência, com seletiva
amnésia para promessas recentes, estigmatizam àqueles cujo
único pecado é o de fiéis se manterem ao ideário do Partido.
São eles os xiitas e radicais! Claro está que faz
muito mais sentido para os neo- donos do Poder expulsar uma
inconveniente Heloísa Helena e estender tapete vermelho para
ACM, trocar o inexpressivo Babá pelo estadista Geddel - o
que vai às compras.
E decidem sempre
em torno de uma mesa, com voracidade pantagruélica de cafés
da manhã, almoços, jantares e churrascos,
dignos de uma
fome atávica - fome zero!!! - só não maior do que seus
apetites arrecadatórios.
Quando infante, em priscas eras, aprendi nas aulas de Física
que a matéria se apresentava em três estados: sólido,
líquido e gasoso. Há menos de seis meses descobri um novo
estado: o estado político, pela primeira vez descrito por
Lampedusa. Estado interessante, sem trocadilho, eis que se
transmuta nos já citados em velocidade proporcional ao
alvitre dos seus detentores - quando não, simplesmente, se
desmancha no ar. É neste estado em que hoje se encontram o
Presidente Lula da Silva e a cúpula do seu (?) Partido, aos
quais sugiro que se transfiram para o PSDB. É mais (fisio)lógico.
Em síntese: durante longos anos acreditei, admirei,
respeitei e votei em alguém que foi, sem nunca ter sido: no
viúvo Porcino.
Publicado: 29 de junho de 2003
próxima:
Quem tem medo da
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