AO MIRANTE NELSON
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Nelson Marins

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"REFUNDAÇÃO" DO PT

 

 

 

A história sempre se repete, ou como farsa ou como tragédia.  Nietzsche.

 

  

 

Estranho, muito estranho o ato que reuniu, no último dia 12, intelectuais, ideólogos, dirigentes e representantes de movimentos sociais, e que denominaram com propriedade, talvez inconsciente, de refundação do PT (o grifo é meu).

 

Além de manifestações de orgulho – não se sabe bem de quê –, também se fizeram presentes as autocríticas, destacando-se a de Paul Singer, um dos idealizadores do encontro e co-fundador do Partido. Com precisão cirúrgica, exceção cada vez mais excepcional entre os muitos “clínicos” históricos e mais recentes, Singer denunciou as distorções da agremiação, “... que se especializou em ganhar eleições, mesmo usando práticas ‘delinqüentes’... ”

 

Outro ponto alto da tertúlia protagonizou-a a filósofa Marilena Chauí, cujo longo período de prévio “silêncio” (dos inocentes?) atribuíra-lo ao fato de que Singer já houvera escrito o suficiente sobre os rumos do PT. Num aparente paradoxo – afinal, Singer não esgotara o tema? –, entusiasmou-se Marilena com “o retorno às origens”, do qual era o ato metáfora, esbanjando sua imensa alegria por tão alvissareiro resgate. Alegria, prosseguiu a filósofa, porque nos últimos meses se perguntara a razão por serem (os petistas) tão odiados, aduzindo que em toda a sua vida jamais presenciara um ódio igual a esse. E arrematou, para gáudio da assembléia, que hoje sabia que o ódio advinha de terem sido o principal construtor da democracia “neste país”. E que por isto jamais seriam perdoados.

 

Já na sua peroração, lembrou a intelectual que o Partido foi criado tendo como fundamentos duas idéias socialistas: a da igualdade econômico-social e a da Justiça, sem as quais não fariam sentido a democracia no PT e o conceito de cidadania.

 

E, enfatizando que tais fundamentos eram o patrimônio do Partido, levou a platéia ao delírio, ao concluir, num brado apoteótico: no pasarán!

 

Embora seja o supra-assinado um admirador do pensamento holográfico, causa-me mossa, suspicaz leitor, o pronunciamento da eminente filósofa. Será ela, por acaso, egressa da escola sofista?

 

Madame Chauí cometeu diversas transgressões à comunicação eficaz e precisa. Generalizou demais, omitiu demais, distorceu demais. Usou e abusou tanto dos padrões do metamodelo, que se habilitou como forte candidata ao troféu Humpty Dumpty do ano, ameaçando o imbatível concorrente ao tricampeonato Luiz Inácio Duda da Silva. Aliás, como o seu prógono (ou epígono?) esbanja sujeitos não especificados, leituras mentais, nominalizações, comparações, julgamentos e outros apontadores de precisão.

 

Quem, especificamente, "no pasarán"? Os seus companheiros de partido, que conspurcaram os fundamentos do PT e que até agora ostentam uma provocativa impunidade ou as “elites” que querem que o companheiro Presidente seja deposto e baixe a cabeça para elas?

 

Além do mais, nem Marilena é  La Pasionária nem muitos os que odeiam o PT são fascistas. Muitos deles estão indignados com os que mentiram – e continuam mentindo – para seus eleitores e jogaram à sentina as idéias socialistas de igualdade sócio-econômica e Justiça. A começar pelo Presidente Luiz Inácio de Mendonça. É igualdade e Justiça extorquir aposentados e pensionistas, arrochar funcionários públicos, ofender trabalhadores com um aviltante salário mínimo e promover o genocídio da classe média?