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Nelson Marins

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      Fatos e Crenças ou de plebiscitos e referendos  

 

 

 

(...) a língua confirma ...a crença de que a consciência reduzida é a única consciência, e ela confunde seu sentido de realidade, de modo que ele está...apto a tomar seus conceitos por dados, suas palavras por coisas reais. (Aldous Huxley, As Portas da Percepção)

 

 

Se eu afirmo que estou com calor, que meu cão está latindo ou que estou escrevendo um artigo, isto são fatos. Já, quando digo que a ocorrência do Katrina ou do Rita teve como causa a conjunção de Marte e Júpiter na casa de Saturno com ascendência em Plutão, expresso uma crença. Fatos não se discutem, são neutros. Discutimos crenças: a elas damos significados.

 

Este intróito se deve ao próximo plebiscito convidando a patuléia a se manifestar – compulsoriamente – contra ou a favor do desarmamento. Até agora, só tomei conhecimento dos “contra”, que desfiam inúmeros argumentos a favor das suas posições. Intuo, porém, que os há os “a favor”. Quanto menos não sejam, os seus idealizadores. E que, também, dispõem de carradas de alegações contra os seus opositores.

 

Creio que a polêmica sobre o desarmamento – como o abortamento e a eutanásia – é bizantina. Não estamos discutindo fatos, e sim, crenças. Logo, todos têm razão. E continuarão a girar em círculos, sem sair do lugar. Isto é, permanecerão xifópagos do problema, em detrimento da solução.

 

Mudemos o foco da controvérsia. O quê uma população manipulada pelo conluio dos Três Poderes e pela mídia cooptada (as exceções são cada vez mais excepcionais), pode começar a fazer agora, contando com seus inesgotáveis recursos internos e externos para reverter a situação atual a curtíssimo, curto, médio e longo prazos?

 

Criando – ou aproveitando já existentes – leis, PECs e assemelhados, em caráter de urgência urgentíssima, que permitam à populaça (não é população; é populaça mesmo) a iniciativa de convocar plebiscitos, referendos e similares sobre assuntos que se seguem, e que servem apenas de meros exemplos:

 

É absolutamente proibido que quem quer que seja eleito para exercer mandato popular (Presidente da República, Vice, Senadores, Deputados, Governadores, Prefeitos, nas esferas federal, estadual, municipal, do DF e territórios) more em casas, apartamentos ou hotéis de luxo e que tenham carros que não sejam populares. Tolerar-se-á que possuam motorista e empregada doméstica. Mas o combustível e a alimentação sairão dos seus bolsos. Cônjuges, proles, demais cognatos, consultores e assessores não auferirão de tais benefícios. No final ou na interrupção do mandato, devolverão habitação e veículo, sendo vedada a sua compra.

 

Aos ministros e demais servidores do Executivo e aos ministros, desembargadores e demais servidores dos Tribunais, bem como aos servidores de todos os escalões de estatais, para-estatais e assemelhadas, apliquem-se os rigores desta lei.

 

A inobservância de tais determinações implicará na perda automática do mandato, cargo ou função, sem direito a qualquer chicanice.

 

Todos os cargos e funções de confiança serão preenchidos por funcionários de carreira, sem exceção, só podendo ser demitidos por justa causa.

 

A quebra de promessas de campanha a partir de 1 (um) ano de mandato, constitui motivo mais que relevante para convocação imediata de plebiscito ou equivalente, a ser realizado em até 90 (noventa) dias.

 

O expediente obrigatório começará até as 14 (quatorze) horas das segundas-feiras e se estenderá às 12 (horas) das sextas-feiras.

 

Os membros dos Executivos, Legislativos e Judiciários federais, estaduais, dos territórios e do DF terão direito a quatro passagens aéreas mensais de ida e volta (classe econômica), intransferíveis, exclusivamente às suas bases eleitorais ou a seus estados de origem.

Férias anuais de 30 (trinta) dias corridos, que poderão ser gozadas em dois períodos de 15 (quinze) dias. Revoguem-se recessos e feriadões.

 

É absolutamente vedada qualquer forma de propaganda, publicidade e assemelhados por parte dos Três Poderes, empresas estatais, para-estatais e afins. Contratos com empresas de publicidade nem pensar. Idem quanto a telefonemas, telegramas e semelhantes. A Internet é barata e funciona!

 

E agora, tigrada? Não são democratas? A democracia não adjetivada não é o governo do povo e para o povo? Quem tem espírito público para encarar? Não têm se servido obscenamente de nós? Que tal passarem agora a nos servir? Como, aliás, ordena a Constituição.

 

Entupam, amáveis (e) leitores – e não eleitores também – as caixas de correio de parlamentares, de governantes, de representantes do Judiciário e de outros nefelibatas. Empanturrem os e-mails de suas listas. Esparjam pela internet. A internet é barata e funciona!

  

Escrito em 27.9.2005

Publicado: 29.9.2005

 

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