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AO MIRANTE NELSON |
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Nelson Marins |
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QUE SE CASSEM TODOS! |
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A afirmação do vice mais atrapalha do que ajuda a compreender o significado ético dos recursos não contabilizados – eufemismo maroto de sonegação – em particular, e a crise política em geral. Qual a intenção verdadeira da sua ambígua declaração? A dubiedade, aliás, supostamente é xifópaga do governo a que pertence.
O ministro da Justiça Marcio Thomaz Bastos não declarou com todas as letras que “caixa dois ‘era coisa de bandido’ “?
Como fica, então, o companheiro Presidente, que se disse traído por diversos companheiros que usaram tais recursos (sem declinar seus nomes, como de hábito); que numa estranha entrevista em Paris, candidamente confessou ser este um costume da política brasileira; e que recebe os parlamentares do PT sujeitos à cassação em Palácio – não eram estes os traidores? – e supostamente lhes falou que “erraram, mas que não eram criminosos”. Com a suposta repercussão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci.
Afinal de contas, caixa dois, desde que confessada, continua a ser crime ou passa a ser erro?
Como entender o suposto Presidente Luiz Inácio Duda da Silva quando chama de bravatas suas próprias promessas de campanha, de “urucubaca” e de pirotecnias as opiniões que não coincidem com as suas – tão voláteis –, numa enfadonha cópia de segunda-mão das “fracassomanias” e dos “esqueçam o que escrevi” de FHC, seu antecessor de triste memória?
O que pensar de um governo que, supostamente gasta cerca de meio bi de reais para eleger presidente da Câmara dos Deputados (pela escassa diferença de quinze votos), um parlamentar que até as vésperas submetia à “fritura” e a toda a sorte de humilhações? Pelos seus dotes de pizzaiolo?
Como entender, por fim, um PT que pretende se reconstruir e troca seis por meia dúzia, isto é, a cópula do Campo supostamente tudo dominado Majoritário pelo sinistro Berzoini. O mesmo! Sim, o mesmo que bloqueou os pagamentos de previdenciários maiores de noventa anos, até que se apresentassem ao vivo e em cores para provar que vivos (ainda) estavam. O mesmo que, supostamente ao arrepio da Constituição Federal, foi o grande comandante da escorchante “garfada” das ditas contribuições previdenciárias de humilhados pensionistas e de aposentados, inclusive por invalidez.
A foto do vice-presidente publicada na página A-16 do Estadão (e na primeira da Folha), de 12 de outubro, é emblemática do atual governo.
Também me fez lembrar Figueiredo, o último general-presidente. Perguntado por um menino, cujo pai ganhava salário-mínimo, o que faria se estivesse na mesma situação, respondeu, no seu estilo “bate-pronto”: “Daria um tiro no coco”.
Que se cassem todos!
Em tempo: O mesmo ministro Marcio Thomaz Bastos, que considerou o "caixa dois" como "coisa de bandidos", agora, e por pessoas interpostas, se dedica a uma "operação abafa" para impedir que os documentos relativos a origem ilegal do dinheiro que abasteceu o valerioduto e os partidos aliados ao PT, cheguem a tempo e a hora à CPI dos Correios.
Escrito em 13.10.2005 Publicado: 14.10.2005
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