AO MIRANTE NELSON

 QUEM TEM MEDO DA CPI DO BANESTADO?

Página principal

Nelson Marins

 Todos os artigos    

     

                                                                                                       Foto Arquivo A Confraria

No início dos anos 90 encontrei, em Nova York, o deputado José Dirceu, responsável pela criação da CPI que mais tarde levaria o então presidente Collor a renunciar, para evitar o impeachment. Embora não o conhecesse intimamente, cumprimentei-o pela iniciativa e atrevi-me a gracejar, dizendo-lhe que “nada melhor do que um espetáculo na Broadway para refrescar o espírito, depois de acender o pavio de tão explosivo assunto”. Riu o deputado (àquela época ele também ria) do comentário de um compatriota, seu desconhecido admirador.

 

     Creio não mais se lembrar o deputado de tão comezinho e distante fato, já que também parece ter se esquecido de recentes e relevantes eventos, como a campanha eleitoral inolvidável que elegeu o companheiro Lula presidente de todos os brasileiros. E, assim, indiretamente com os nossos votos, transformou-se o deputado em Ministro da Casa Civil. E assim, indiretamente com os nossos votos, os companheiros Genoíno e Mercadante, e até mesmo aqueles que desfrutavam de merecido anonimato, foram promovidos a cargos de  destaque. Substituindo figuras sinistras, as da “herança maldita”.

 

     Causa-me mossa, portanto, a atitude do atual governo e, especialmente, a do ex-combativo e ex-sorridente deputado quando procuraram impedir, retardar, sabotar a criação e funcionamento pleno da CPI do BANESTADO, cujo objetivo é esclarecer como cerca de US$ 30 bilhões de dólares escafederam-se, através das contas CC5 de cinco bancos em Foz do Iguaçu. Máxime, quando há suspeitas de lavagem de dinheiro do narcotráfico.

 

     Cáspite! Nenhuma surpresa adveio da prestidigitação verbal do FHC’s bright boy Gustavo Franco, ao justificar suas ações como intenção patriótica de afastar a figura hedionda do doleiro do cenário nacional, como intenção filantrópica de proteger humildes sacoleiros e honestos comerciantes daquelas plagas. Afinal, não se esperava outra atitude do menino-prodígio da macroeconomia senão a de defender-se, na CPI, e aos seus pretéritos superiores.

 

     Não era isto, porém, que se esperava do governo Lula nem da sua eminência parda, cujos argumentos frágeis só convencem àqueles nos quais o sistema nervoso termina no bulbo. Paralisação das reformas da previdência e tributária? Receio de comprometer figuras impolutas acima de qualquer suspeita - políticos do alto clero, megaempresários, financiadores e caixas de campanhas eleitorais, proprietários e artistas da grande mídia, estrelas internacionais do balípodo, banqueiros e especuladores (com o perdão da redundância)?

 

     Mas os acontecidos não ocorreram na vigência do governo FHC? Não são o Presidente Lula, o ministro Dirceu, o PT, sinônimos e repositórios da seriedade no trato da coisa pública, guardiões implacáveis da honestidade e moralidade políticas, acima de quaisquer circunstâncias? Então por que procrastinar, obstruir, proteger, se omitir? Se não tomaram conhecimento, durante a transição, de tão escabrosos episódios, quanta ingenuidade, quanta incompetência! Se só o souberam após a posse, por que não investigar até as últimas conseqüências e – se for o caso – denunciar e punir os bucaneiros do Estado, doa a quem doer?  

 

     Afinal de contas, quem tem medo da CPI do BANESTADO?   

 

Publicado: 9.7.2003

 

 

próxima: Taça de cristal

anterior: O Viúvo Porcino

 

           

     Índice do autor

      Página principal     


© copyright 2003-2005  A Confraria Nelson Marins  © Webdesigner xenïa antunes

© Todos os textos aqui publicados são de propriedade e responsabilidade de seus autores.

Reprodução usada na composição da logomarca:  "De Kunstgalerij van Jan",  Adrien de Lelie (c.1794/95)