| |
|
|
Foto Arquivo A Confraria
No início dos anos 90 encontrei, em Nova York, o
deputado José Dirceu, responsável pela criação da CPI que mais
tarde levaria o então presidente Collor a renunciar, para evitar
o impeachment. Embora não o conhecesse intimamente,
cumprimentei-o pela iniciativa e atrevi-me a gracejar,
dizendo-lhe que “nada melhor do que um espetáculo na Broadway
para refrescar o espírito, depois de acender o pavio de tão
explosivo assunto”. Riu o deputado (àquela época ele também ria)
do comentário de um compatriota, seu desconhecido admirador.
Creio não mais se lembrar o
deputado de tão comezinho e distante fato, já que também parece
ter se esquecido de recentes e relevantes eventos, como a
campanha eleitoral inolvidável que elegeu o companheiro Lula
presidente de todos os brasileiros. E, assim, indiretamente com
os nossos votos, transformou-se o deputado em Ministro da Casa
Civil. E assim, indiretamente com os nossos votos, os
companheiros Genoíno e Mercadante, e até mesmo aqueles que
desfrutavam de merecido anonimato, foram promovidos a cargos de
destaque. Substituindo figuras sinistras, as da “herança
maldita”.
Causa-me mossa, portanto, a
atitude do atual governo e, especialmente, a do ex-combativo e
ex-sorridente deputado quando procuraram impedir, retardar,
sabotar a criação e funcionamento pleno da CPI do BANESTADO,
cujo objetivo é esclarecer como cerca de US$ 30 bilhões de
dólares escafederam-se, através das contas CC5 de cinco bancos
em Foz do Iguaçu. Máxime, quando há suspeitas de lavagem
de dinheiro do narcotráfico.
Cáspite! Nenhuma surpresa adveio
da prestidigitação verbal do FHC’s bright boy Gustavo
Franco, ao justificar suas ações como intenção patriótica de
afastar a figura hedionda do doleiro do cenário nacional, como
intenção filantrópica de proteger humildes sacoleiros e
honestos comerciantes daquelas plagas. Afinal, não se esperava
outra atitude do menino-prodígio da macroeconomia senão a de
defender-se, na CPI, e aos seus pretéritos superiores.
Não era isto, porém, que se
esperava do governo Lula nem da sua eminência parda, cujos
argumentos frágeis só convencem àqueles nos quais o sistema
nervoso termina no bulbo. Paralisação das reformas da
previdência e tributária? Receio de comprometer figuras
impolutas acima de qualquer suspeita - políticos do alto clero,
megaempresários, financiadores e caixas de campanhas eleitorais,
proprietários e artistas da grande mídia, estrelas
internacionais do balípodo, banqueiros e especuladores (com o
perdão da redundância)?
Mas os acontecidos não ocorreram
na vigência do governo FHC? Não são o Presidente Lula, o
ministro Dirceu, o PT, sinônimos e repositórios da seriedade no
trato da coisa pública, guardiões implacáveis da honestidade e
moralidade políticas, acima de quaisquer circunstâncias? Então
por que procrastinar, obstruir, proteger, se omitir? Se não
tomaram conhecimento, durante a transição, de tão escabrosos
episódios, quanta ingenuidade, quanta incompetência! Se só o
souberam após a posse, por que não investigar até as últimas
conseqüências e – se for o caso – denunciar e punir os
bucaneiros do Estado,
doa a quem doer?
Afinal de contas, quem tem medo da
CPI do BANESTADO?
Publicado: 9.7.2003
próxima:
Taça de cristal
anterior:
O Viúvo Porcino
Índice
do autor
Página
principal
|