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Permita, curioso leitor, que eu lhe conte uma
historinha presenciada por
Ricardo Semler, um
brasileiro
notável que
revolucionou o conceito de empresa em nosso país. Em Estocolmo, convidado
para um jantar de gala,
testemunhou a assinatura
em
público do
anfitrião, Peter Wallenberg, no
cheque do seu imposto de renda anual. Exatos 88% (oitenta e oito
por cento,
mesmo!!!). Os Wallenberg são a principal família da Suécia, donos
da Saab-Scania, Atlas
Copco, linhas aéreas SAS, e
do maior banco
daquele país,
entre
outros ícones.
Ante a perplexidade de Semler, Wallenberg
explicou-lhe que ‘quem possui muito
precisa devolver
quase tudo
para a sociedade, e ficar só com um pouco para si’ (Você
está louco!, Ricardo Semler, Rocco, 2006, RJ).
A propósito, leitor ingênuo, você sabe quais são os índices
de corrupção na Escandinávia? E a
média
de sonegação de
impostos
na Islândia? Lembra a última vez em que o crime
organizado barbarizou Genève, Basel ou
Zürich? E que a
Suíça
tem apenas
mil
militares de
carreira? E como
está o rombo
da Previdência
Social
na Alemanha? Consegue adivinhar o montante das mordomias
dos governantes – incluindo monarcas –, parlamentares
e empresários dos
países
de maior IDH (índice
de desenvolvimento
humano) do mundo?
Sabe, por
acaso, como
está a distribuição de renda, riqueza e justiça nestes países?
Enquanto
isso,
aqui em
Pindorama, a temporada da caça ao Tesouro e de escândalos continua em
progressão exponencial: entre absolvições imorais
e renúncias preventivas salvaram-se quase
todos os acusados da compra de dossiês,
mensalões, vampiros,
sanguessugas e
outros
hematófagos desmondotídeos. Como se não
bastasse, num dos exemplos mais emblemáticos
de pornô-política explícita, senadores e deputados
se autoconcederam um edificante aumento de 91%,
capitaneados por Aldo Rabelo e
Renan Calheiros, que
assim
pavimentaram o caminho
para
a reeleição à
presidência
das respectivas Casas. A eles juntou-se agora,
para disputar o butim, outro representante dos hienídeos, Arlindo Chinaglia (segundo o qual,
a pronúncia é “quinalha”, o que leva a um trocadilho inevitável). Severinizaram-se, se é
que em
algum dia
houvessem merecido diferente
classificação.
Em
contrapartida,
depois de encarniçada batalha, propuseram os
congressistas
um generoso
aumento do salário
mínimo, fixando-o em
trezentos e oitenta reais. Um escárnio! Vai daí, o STF
manifestou-se consensualmente contra
a provocativa auto-indulgência dos deputados
e senadores, adiando-a até a próxima legislatura. Diga-se, porém,
que a presidente
e o vice-presidente daquela corte não saíram bem na foto, eis que foram ao encontro
do presidente Inácio, com quem
trocaram idéias
sobre
o aumento da própria
remuneração.
Manifestações
menos despudoradas,
mas
na mesma
linha, as tiveram outros
órgãos
da Justiça e o TCU.
Poderá o perspicaz leitor justificar as
discretas diferenças entre o Brasil e os países
citados? Ah! É porque a Suécia é
pequenininha; assim
não
é vantagem.
Não,
não se trata
de tamanho: o Canadá é o segundo maior país do mundo, e
as aves
que
aqui gorjeiam não
gorjeiam como
lá.
Ou então:
é que o Brasil tem uma população enorme.
Também não
é por
isso: os Estados
Unidos têm quase o dobro
da nossa
população, e a diferença
do número
de habitantes
entre
Brasil e Japão não é lá essas coisas.
Já sei, já
sei, contestará o (e) leitor persistente. É que
o Brasil foi colonizado por
degredados portugueses. Mais uma vez, lamento
decepcioná-lo. A colonização da Austrália foi feita por bandidos
ingleses.
Ninguém
precisa
ser economista
nem cientista
político ou
social para entender porque o
Brasil está cada
vez
pior. Basta
que não
seja muito
burro,
basta que
não aja de má fé,
basta que
não sofra da síndrome
de Polyana. Desde
que
descoberto, formou-se uma soit dizant
elite
na antiga Terra
dos Papagaios.
Elite
desde sempre
predadora, arrogante, incompetente, deslumbrada e prepotente, eleita por direito divino, que mantém vivo até hoje o conceito
das capitanias hereditárias e que gestou subseqüentes
gerações de
parasitas
até culminar com esta cada vez mais
despudorada e voraz cleptocracia
(apud Elio Gaspari) ou
canalhocracia contemporânea.
Na opinião do
supra-assinado, a causa
principal
destas incontáveis
mazelas
provém de uma máxima (?!) da
Justiça:
sua satisfação
garantida, ou
seu
dinheiro de volta.
É justamente a
certeza
da impunidade
que
explica ser o Brasil o
campeão
da concentração de
renda
e riqueza (1% da
população
brasileira detém
cerca
de 53% da riqueza do
país;
um trilhão
de reais e
quebrados
de juros
pagos
para cerca de
vinte mil
famílias!), dos juros
nos
cornos da lua
e a sucessiva
quebra
de recordes dos
obscenos
lucros dos bancos,
inclusive do Banco
do Brasil, considerado um banco social
(rarararará). É a certeza da impunidade que
permite a promiscuidade
incestuosa
de governantes,
políticos,
empresários,
banqueiros
e rentistas no trato com o Erário. A
propósito, quem
lava o dinheiro
do narcotráfico, do
contrabando
de armas e de outras categorias? É subestimar a nossa inteligência quando a polícia
cerca os morros
do Rio, a periferia
de São Paulo
ou
de outras adjacências. Basta procurá-los em
seus endereços
certos e sabidos:
Avenida Paulista,
Jardins, Guarujá,
Avenidas
Atlântica, Vieira
Souto,
Delfim Moreira,
Barra
da Tijuca,
Recreio,
Lagos Sul e Norte, em Brasília, e
outros endereços
“in”.
Nenhum
dos Três
Poderes produz
renda
e riqueza, embora
delas se apropriem e as dividam com seus sócios. Não cabe também
ao Estado dar
lucro. É obrigação do Estado, sim,
arrecadá-lo, administrá-lo competente
e honestamente e revertê-lo de forma
legítima e decente à população que o
origina com o
seu
trabalho. E o burro
de carga tem sido a
classe
média, a que mais contribui na oferta
de empregos, no
consumo
e na arrecadação de impostos, taxas e afins. E
que vem sendo massacrada, proletarizada,
desde a ditadura militar até os governos
“democráticos”
contemporâneos.
Principalmente a partir
do primeiro ano
do governo Luiz Inácio (Cf. Jornal da Unicamp,
maio
2004). Não cabe à
classe
média acabar com a miséria vergonhosa e a pobreza
crônica e revoltante dos brasileiros. Isto
é papel do Estado.
Aliás, como
no Brasil é considerado classe
média
quem tem renda
familiar acima
de 5000 reais (classe
média alta),
de 2500 a 5000 reais (média-média)
e de 500 a 1000 reais (classe
média baixa),
preocupa-me deveras
como
as duas últimas se arranjam frente
a despesas tais como educação, saúde, alimentação,
além naturalmente
da aquisição e
manutenção
de dois carros
do ano, do
barco
e das viagens
internacionais. Está rindo,
leitor? Mas
não é esta a realidade
da classe média
dos países com IDH elevado e médio?
Não é verdade
que em
países como
a Espanha o salário de um engenheiro é
apenas quatro
vezes maior
do que o
salário
mínimo de uma balconista
(600 dólares)?
O povo brasileiro nunca foi
representado com
legitimidade
pela maioria
dos bípedes dos
Três
Poderes em
sua tortuosa
história. Do que
testemunhei ainda
infante, o governo
Getúlio Vargas mordia e assoprava, combinando um
razoável
apoio à classe
trabalhadora e os porões ditatoriais de Filinto Muller; o
namoro
com o nazi-fascismo e a
pressão
para, mesmo obrigado, materializar Volta Redonda,
Petrobrás e a Vale do Rio
Doce, esta última
privatizada a preço de banana por FHC.
Seguiu-se o Marechal Eurico
Gaspar Dutra, portador de uma simpática disartria
ou dislalia, que
me parecia um
bom sujeito,
legalista – vivia acompanhado
da Constituição, que
chamava de ‘o livrinho’ – e que
comprou toneladas de plástico
aos americanos.
Também
pôs o Partido
Comunista
na ilegalidade e acabou com os jogos de
azar no Brasil, talvez
por influência
de dona Santinha,
sua
esposa, uma senhora
muito católica.
Os dois devem estar
se revirando no túmulo
ante
a profusão de ditos
jogos, há muito
bancados direta
ou indiretamente
pelos vários
governos
subseqüentes. E que
nada
mais representam do
que
impostos disfarçados. Eis que surge
Juscelino Kubitschek de Oliveira,
dotado de um
enorme
astral, otimista,
democrata, corajoso,
avesso
a ódios e a ressentimentos, generoso para com os adversários,
um dos melhores
presidente da
República
que tivemos. Em
quem,
infelizmente,
não votei. É verdade
que construiu Brasília com o dinheiro dos trabalhadores (Atenção!
Tenho dupla
naturalidade: sou carioca
e brasiliense
bairrista), desencadeando a inflação.
É verdade também que Brasília não
precisava ser tão
faraônica. O período
etílico-paranóico de Jânio Quadros
foi a
minha primeira
grande decepção
como eleitor.
Bilhetinhos, proibições de rinhas de galo (que implicância,
não é mesmo
Duda Mendonça?), de biquínis e de lança-perfumes no carnaval
serviram de contraponto a uma política externa
da autodeterminação dos povos. Sua renúncia aloprada (diria Luiz Inácio) abriu caminho para a posse de Jango, cuja
incompetência endógena
e arroubos sindicalistas,
serviram de pretexto aos militares
para um golpe preventivo em
que rasgaram a
Constituição, dando-lhe um
destino
escatológico. Da ditadura
militar,
em que
pesem o real
avanço
nas telecomunicações e o espúrio Milagre Econômico do bolo
do Delfim
(Netto), é óbvio
que
o preço
pago
pela sociedade
foi excessivo pelas enganações,
pela
falta de
liberdade, pelas mortes,
torturas
e pelos
até
hoje desaparecidos.
Finalmente,
chegamos à Nova
República de Sarney, o Imperador do Maranhão, mais
uma vez
esperançosos
como só
os brasileiros o
são.
Governo medíocre,
algo que
meio
estelionatário
com o Plano
Cruzado, levando o
país
à hiperinflação. A
seguir, entra em
cena
o fronteiriço
Indiana
Collor, quem
primeiro
abriu as pernas
para
as megacorporações internacionais, sob a desculpa
da modernização, com
seu séqüito brega, do qual
fazia parte o
atual
presidente do
Senado, Renan Calheiros. Pelas
estripulias
ostentatórias do seu bando, aliadas às tendências
cleptomaníacas do saudoso PC
Farias (hoje, um mero aprendiz
de trombadinha), vestiu-se de luto o povo nas
ruas, com
os caras-pintadas à frente,
sucedendo-se a sua
condenação
pelo Congresso
e posterior renúncia
– malgré os esforços
de Bob Jefferson, líder da sua tropa de choque.
Curiosamente, o STF o
absolveu...
Escafedendo-se a República
das Alagoas, ocorreu um curto, surpreendente e benfazejo período da nossa história
republicana. Itamar Franco, o
presidente-tampão, o patinho
feio, o temperamental
e instável
político mineiro
foi o protagonista
principal, contribuindo com
seus
feitos inéditos
para demonstrar que o Brasil pode ter um governo de qualidade: administrou com
habilidade e
competência
a crise
política
originada pelo
impedimento
de Collor; reduziu a hiperinflação com o Plano Real (surrupiado descaradamente
por FHC, e
combatido
por Luiz Inácio e o PT); colocou Antonio
Carlos Magalhães no seu devido lugar quando este
tentou chantagear o
seu
governo; terminou o
governo
com índice
de popularidade
maior
do que
quando
começou; demitiu, no ato, seu Ministro da
Fazenda, Rubens Ricupero, por infeliz
boquirrotismo; afastou seu fraterno amigo
e colaborador Henrique Hargreaves, suspeito
de irregularidades,
não
hesitando em readmiti-lo,
comprovada a sua inocência;
fez o seu
sucessor
– o que
até
hoje deve lamentar.
Como seus
opositores não
tinham argumentos
sólidos
para criticá-lo, acusaram-no de ser
um porra-louca, insinuaram
que era
homossexual e,
até
mesmo, censuraram-no porque uma moça
foi fotografada sem
calcinha
em seu
camarote durante
o Carnaval.
Como
se fosse ele
um
fiscal
encarregado
de verificar se moçoilas
que
lá estavam portavam a referida peça íntima. Não obstante a
má vontade da
mídia
em geral
e dos políticos
indecentes,
que não
perdem oportunidade
em
achincalhá-lo, jamais ousaram levantar qualquer suspeita sobre
a lisura
pessoal
e a do governo desse digno presidente.
Os oito anos de Fernando Henrique Cardoso foram um primor de distribuição de riqueza e de
inovações. Assim,
o pseudo-esquerdista, o auto-exilado e modesto
príncipe dos sociólogos, consentiu
que se vendesse a
pátria amada-mãe
gentil, a preço de
bananas. Patrocinou a privatização de inúmeras
empresas
brasileiras até “o
limite
da irresponsabilidade”, com a distribuição
de lucros
siderais
aos grupos
que
o apoiavam no projeto de permanência no poder durante vinte anos,
capitaneado pelo seu
fraterno amigo,
o finado Sergio Motta. Além de tais descalabros,
FHC inaugurou o congelamento dos salários dos funcionários
públicos e dos aposentados, mais uma vez
desrespeitando a Constituição.
Tentou ainda, sem o conseguir, cobrar
despudoradamente a “contribuição previdenciária” dos aposentados e
pensionistas,
algo que
nem mesmo
o regime de exceção
ousou pôr em prática. O governo
FHC foi tão
catastrófico,
mas tão
catastrófico, que
deu ensejo à eleição
de Luiz Inácio à Presidência da República, já que o desespero
dos eleitores
por
uma mudança
radical,
por ele
prometida, permitiu-lhe ultrapassar a barreira dos 35% do seu
eleitorado
habitual. A esperança,
enfim, venceria o medo!
Antes
de se passar
às embrulhadas do
primeiro
mandato do “Nosso
Guia”, (mais
royalties para
Elio Gaspari) e do seu governo, enfatize-se a produção
de um
documento
da lavra da
Liderança
do PT na Câmara
Federal
de Deputados, intitulado “O
Brasil não
esquecerá – 45 escândalos que marcaram o governo
FHC / Itinerário de
um
desastre”. Trata-se de uma peça imperdível,
que recomendo
insistentemente
a todos,
principalmente
portadores de
perda
da memória
recente, aos militantes
e simpatizantes
do PT e do lulismo (Ver
www.revistaforum.com.br/ladob-45 escandalos.htm e
www.consciencia.net/corrupçao/fhc.html), assinada pelo então líder
do PT, João Paulo Cunha. Esse mesmo; aquele cuja senhora foi pagar uma
suposta conta de TV a cabo, no mesmo edifício de um suposto banco... Tal
documento é um exercício impressionante de futurologia, bem como um
exemplo ímpar de projeção psicanalítica, eis que antecipa os 45 ou mais
escândalos do PT.
O Partido dos Trabalhadores, e o seu
fundador e presidente
de honra Luiz Inácio, continuam a desafiar meu intelecto como um dos mais fascinantes relatos de cases
sócio-político-psiquiátricos que
jamais testemunhei. Bem
verdade que o
PT, com
sua
atitude de evacuador de
regras, de dono da
verdade
e da austeridade
pública, chegava a cansar
com
suas tendências
denuncistas e assembleístas. No entanto,
a qualidade dos
seus
quadros, entre
os quais Chico
Oliveira, César Benjamin, Plínio de
Arruda Sampaio,
Paul Singer, Eduardo Suplicy, Helio Bicudo, minimizavam
tais
comportamentos
dos normalistas do
Partido.
Adicionalmente, as
experiências
iniciais na
prefeitura
de Porto Alegre
mostravam-se auspiciosas.
Desde
a redemocratização do País o supra-assinado votou
quase
sempre em
candidatos da
esquerda,
eventualmente naqueles do PT, e sistemática e comovidamente em
Lula. Isto
porque não
me cansava de
surpreender
com a inteligência
nata, agilidade de
raciocínio, fluidez e coerência
do discurso, sem deixar qualquer pergunta sem resposta quanto
às soluções dos
problemas
brasileiros.
Apesar
– ou até
por cause – da
sua
origem humilde,
carente de
educação
formal e falta
de intimidade
com
o léxico.
Nem
mesmo a pronúncia
das fricativas alveolares apoiando nos dentes a ponta
da língua conseguia
empanar
o brilho dos
seus
pronunciamentos. E
assim, repito, nele votei com absoluta convicção
até a sua
emocionante
eleição,
em que
derrotou inquestionavelmente as forças obscurantistas de sempre.
Ainda
no período
de transição,
todavia, começou a piscar
insistentemente
o alerta
amarelo,
que se transformou
em
vermelho logo
depois da sua
posse apoteótica.
Cáspite! O príncipe
virou sapo! Retiram-lhe o
ponto do ouvido
e o teleprompter do seu campo visual. Logo, logo o brilhantismo
das falas do ex-sindicalista e candidato deu lugar
a indigentes
metáforas
futebolísticas, gastronômicas e vulgares,
apoiadas por
caras
e bocas, e nauseantes “a
gente” e “neste país”.
Pior: foi o autor
do maior
estelionato
da tenebrosa
história
republicana do País. Virou às costas aos seus
aliados da
primeira
hora, expulsando a senadora Heloisa Helena e os deputados
Babá, Luciana
Genro
e João Fontes
pelo
nefando crime
de não curvarem a
cabeça
nem a espinha
ante o estupro
dos princípios do PT. Conseguiu enfiar goela abaixo dos seus
fiéis eleitores a
imoral
reforma previdenciária, cujo primeiro ato foi o absurdo
e pleonástico confisco imoral e covarde que vitimou aposentados e
pensionistas. Cercou-se das mais
reacionárias, sinistras e rastaqüeras figuras
da vida
pública
nacional, imitando o 41º. dos 45 Escândalos de FHC,
magistralmente
descritos por João Paulo Cunha, seu bravo líder do
PT. Delfim Netto, Jader Barbalho,
José Sarney, Renan Callheiros, Newtão Cardoso, Fernando Collor e
– cáspite! – Paulo Maluf
são alguns
dos seus
mais
recentes
conselheiros
e amigos de
infância. Optou, igualmente,
pela
banda podre
do PT, o Partido da
moralidade,
que nem
sequer até
hoje abriu
sindicância
para apurar a denúncia do procurador-geral da
República, Antonio Fernando de Souza ao STF
sobre
os quarenta ladrões do
Palácio
do Planalto.
Ante
a metamorfose
da versão
cabocla
do Mr. Hyde em
Dr. Jeckyll, restou-nos algumas reflexões psiquiátricas para
procurar entender a nossa perplexidade. Teríamos sido
vítimas
de um
transe
hipnótico
coletivo? Será que
o neo Pai
dos Pobres (e
Mãe
dos Ricos e
Poderosos)
sempre foi um
Lawrence Olivier, um farsante, um
demagogo, um
camaleão? Teria surtado com
o pudê – o melado do
deslumbramento tendo-lhe lambuzado o cérebro?
Ou, simplesmente,
um caso
de paranóia emergente?
De um
lado, o delírio de
perseguição atribuído às “elites golpistas”,
quando tão
somente não
se endossam suas
atitudes
criticáveis; de
outro
lado, a
megalomania
do “nunca neste
país”, o Aerolula – o Papa,
a maioria dos
presidentes
e chefes de
Estado
usam aviões de
carreira
–, o messianismo. Uma outra hipótese – não excludente – seria a de uma síndrome
bipolar. De uma
parte, a arrogância, o
autoritarismo
e as manifestações explícitas e
turpilóquicas de cólera
para
com os seus
colaboradores, subordinados, jornalistas, e inclusive com os humildes
(aos quais, se arroga
espuriamente a condição de pai).
De outra
parte, a subserviência aos
poderosos
pátrios e
adventícios, e as crises
de pranto
autopiedoso, ao se lembrar da
infância
pobre e da genitora
que
nasceu analfabeta. A hipótese diagnóstica
de sociopatia também se impõe. A culpa é sempre
do outro,
não
hesita em
sacrificar
antigos camaradas
(camaradas
não,
pois nunca
foi comunista; foi metalúrgico) para tirar a extremidade do seu
precioso reto
da reta.
Por
último, por enquanto, igualmente
se enquadra num autismo seletivo: nunca
vê, nunca
ouve, nunca sabe de
nada.
Com isto,
contribuiu com a
semântica
para novo conceito da palavra
corno. Fica combinado que,
a partir de Luiz Inácio (d.L.)
marido
de mulher
adúltera
é o penúltimo a
saber. Depois dele tem um
monte de gente.
Uma análise
mais
simples poderia
concluir pela
síndrome do cabo
Anselmo.
Estes,
caro
leitor, são
meros exemplos
do que esta
raça
de predadores e
parasitas
vêm fazendo ao Brasil e ao seu povo. Não nos deixemos engambelar por esta máfia,
que acha muito natural, por exemplo, tornar permanente e mais onerosa a CPMF, que
é um
exemplo
emblemático do
legislador
ou governante,
digamos, carente de
criatividade.
Inventar mais
um imposto
para resolver a vergonha da Saúde,
como se esta não
fosse um dever
essencial do
Estado
e que não
merecesse generosa
dotação
do Orçamento.
Muito
pior: foi
descaradamente
desviado e afanado por esta malta. Não nos comovem os pronunciamentos
ocos sobre
o sucesso da
distribuição
dos seis
bilhões
de reais às
camadas
mais pobres
da população. E
quantos
bilhões são
pagos anualmente
pelos juros
de uma dívida
nem
sequer auditada? E dizer-se que Tancredo, um
político
conservador, afirmou em
seu
discurso logo
após eleger-se em
eleição indireta,
que “não
pagaria a espúria
dívida
com a miséria
do povo
brasileiro”.
Não nos
impressiona, igualmente, a reeleição do “Nosso
Guia”, mormente
contra um
candidato tão
inexpressivo,
contra
uma oposição
tão
mafiosa quanto
os ex-fieis-depositários da moral pública. ACM voltou, Roriz conseguiu
chegar
ao Senado, Arruda foi eleito deputado federal
e, agora
governador
do DF, Collor substituiu no Senado
a destemida Heloisa Helena,
Jader Barbalho e um
monte
de vampiros,
sanguessugas
e mensaleiros também foram
eleitos. Se isto prova alguma coisa é que a falta de ética
e o crime
ainda
compensam no País.
É evidente que há governantes
dignos, políticos
com espírito
público e
projetos
de país,
juristas
que honram a sua
toga. Entretanto,
as exceções se fizeram cada vez mais raras que
se tem a impressão de que o Estado
tornou-se delinqüente. E ainda pedem para que se “deixe o homem
trabalhar”.
Senhores
pais: tirem as crianças
da sala. O espetáculo da
pornô-política explícita já começou. Enquanto
isto, Luiz Inácio
chora...e
descansa.
Escrito em 13.1.2007
Publicado: 6.2.2007
anterior:
Nada além dos sapatos
próximo:
O Professor
Jatene e a CPMF
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