AO MIRANTE NELSON

 

SURTOU DE NOVO?

 

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  Nelson Marins

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Mais uma vez, e cada vez mais disgusting, surta o companheiro presidente durante pronunciamento na inauguração do aeroporto de Campina Grande.

 

Numa aparente mixagem de adolescência tardia, com esperado excesso de testosterona circulante e de betaendorfinas de suspeitosa etiologia etílico- messiânica, constrange-nos o senhor Luiz Inácio da Silva com seu penúltimo improviso de mau-gosto.

 

Sem que houvesse qualquer provocação aparente, deu-se ao desplante de deblaterar contra seus antecessores, chamando-os de covardes e sem-vergonhas. Ao mesmo tempo em que, sem qualquer pundonor ou compostura, delongou-se, qual suburbano Narciso, sobre seus feitos passados e suas futuras e revolucionárias realizações.

 

Deslumbrado com o poder que encarna, produto apenas dos nossos equivocados votos, e que nada tem a ver em por deuses ter sido ungido, não percebe o ínclito presidente que, como Fausto, vendeu a sua alma e destinou à sentina a sua biografia. Ademais, até agora, todo o paraíso que continua a prometer aos brasileiros sempre se encontra no futuro e no condicional.

 

Em contraponto, enquanto o tempo passa, o arrocho da população, a queda em crise do poder de compra, a extorsão de servidores públicos, aposentados e pensionistas – esta, sim, uma ignominiosa covardia –, a indecência dos índices do desemprego e o obsceno lucro dos bancos e do capital, acontecem no presente ou são atribuídos à maldita herança do passado.

 

É uma pena que nenhum membro da corte, nenhum amigo verdadeiro e íntimo advirta o presidente que sua conduta já deixou de ser folclórica e já começa a se tornar incompatível com a liturgia do seu cargo.

 

Avisem-no seus verdadeiros amigos que ele foi eleito Presidente da República, com mandato de quatro ou – se reeleito, não com o meu voto – oito anos, e não para imperador ou divina entidade vitalícia.

 

Que saudade dos tempos em que Lula parecia ser o que não era.

 

 

 

 

 Publicado: 2.11.2003

 

 

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