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Mais uma vez, e cada vez mais disgusting, surta
o companheiro presidente durante pronunciamento na inauguração
do aeroporto de Campina Grande.
Numa aparente mixagem de adolescência tardia, com esperado
excesso de testosterona circulante e de betaendorfinas de
suspeitosa etiologia etílico- messiânica, constrange-nos o
senhor Luiz Inácio da Silva com seu penúltimo improviso de
mau-gosto.
Sem que houvesse qualquer provocação aparente, deu-se ao
desplante de deblaterar contra seus antecessores, chamando-os de
covardes e sem-vergonhas. Ao mesmo tempo em que,
sem qualquer pundonor ou compostura, delongou-se, qual suburbano
Narciso, sobre seus feitos passados e suas futuras e
revolucionárias realizações.
Deslumbrado com o poder que encarna, produto apenas dos
nossos equivocados votos, e que nada tem a ver em por deuses ter
sido ungido, não percebe o ínclito presidente que, como Fausto,
vendeu a sua alma e destinou à sentina a sua biografia. Ademais,
até agora, todo o paraíso que continua a prometer aos
brasileiros sempre se encontra no futuro e no condicional.
Em contraponto, enquanto o tempo passa, o arrocho da
população, a queda em crise do poder de compra, a extorsão de
servidores públicos, aposentados e pensionistas – esta, sim, uma
ignominiosa covardia –, a indecência dos índices do desemprego e
o obsceno lucro dos bancos e do capital, acontecem no presente
ou são atribuídos à maldita herança do passado.
É uma pena que nenhum membro da corte, nenhum amigo
verdadeiro e íntimo advirta o presidente que sua conduta já
deixou de ser folclórica e já começa a se tornar incompatível
com a liturgia do seu cargo.
Avisem-no seus verdadeiros amigos que ele foi eleito
Presidente da República, com mandato de quatro ou – se reeleito,
não com o meu voto – oito anos, e não para imperador ou divina
entidade vitalícia.
Que saudade dos tempos em que Lula parecia ser o que não era.
Publicado:
2.11.2003
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blá-blá-blá!
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