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Depois
de uma
licença
sabático-marítima
que
me
fez
sentir
saudades
dos
queridos
leitores,
volto a esta
coluna
para
comentar
duas próximas
decisões – uma do
Executivo,
com
a
conivência
do
Legislativo,
outra
do
Judiciário
–
que
certamente
contribuirão
para
que
o Brasil se torne
cada
vez
mais
a
cloaca
da
mãe
Joana. Esclareço:
este tem sido o
objetivo
de
governantes
e de
altas
autoridades
desde
a
descoberta
do
País,
embora
em
progressão
exponencial a
partir dos
dois
primeiros
Fernandos, e
que
prossegue
com
a
colaboração
do
governo
democrático-popular do
companheiro
Luiz Inácio da Silva. Deixo a
critério do politizado
leitor
descobrir
as
razões
para
tal
desideratu:
incompetência,
messianismo, ingenuidade (!),
voracidade
pantagruélica,
desvios
de
caráter,
vantagens
pessoais,
estelionatos
eleitorais,
síndrome
do
cabo
Anselmo? A
lista é
longa.
O
suspense do
salário
mínimo
Ridículo
o
sucessivo
adiamento
das
informações
sobre
o
valor
do
novo
salário
mínimo.
Segredo
de
polichinelo,
jogo
de
cartas
marcadas,
não
obstante
as
caras
e
bocas,
repetições
ad nausea dos “a
gente” e “este
país”,
e de
indigentes
metáforas,
o
presidente
Luiz Inácio da Silva
só
consegue
convencer
àqueles
cujo
sistema
nervoso
termina no
bulbo. Haja
vista as
vaias
recentes
dos
antigos
companheiros
(e
eleitores)
às
declarações
mofinas, sofísticas e cínicas (Escola Filosófica) do alumbrado
presidente, de
que
“...
todo
mundo
que
ganha
um
salário
mínimo
adoraria
ganhar
o
que
os metalúrgicos ganham
para
pagar
Imposto de
Renda”
(ver a
seção
Consta Que).
Deveras
emocionante
as delirantes
previsões
da rafaméia
sobre o
iminente
édito
imperial: R$260
reais? R$270? Chegará aos
cem
dólares?
Vergonha! Foi
para
isto
que
tanta
gente
votou no camaleônico
presidente?
Que
hoje
interrompeu a
discussão de
assunto
tão
urgente
para,
quem
sabe,
almoçar,
quem
sabe,
assistir
Brasil x Hungria?
Cáspite!
Como
se
não
bastasse
tão deprimente
espetáculo, afirmou
ainda
o autodenominado
pai
dos
brasileiros,
que
o
insuficiente
aumento
do
mínimo
seria
compensado
pela
elevação
do
salário-família
para
vinte e
cinco
reais
por
filho
(é
isto
que
papai
Lula
gasta
com
cada
rebento?).
Não
obstante
o
atraente
invólucro
em
que
veio
envolvido a escatológica
benesse “compensatória”,
a marotice
não
passou
despercebida
a Jânio de Freitas (Folha de S.Paulo, 27/03). A
felonia é
que
as
aposentadorias
são
reajustadas na
mesma
proporção
do
reajuste
do
salário
mínimo...e...aposentado
não
tem
direito
a
salário-família.
Elementar,
meu
caro
Watson.
Estultices
à
parte,
as
ordens,
de há
muito, foram dadas
pela
“matriz”,
vale
dizer
o FMI e
seus
patrões – os
cada
vez
mais
obesos
gatos
neoliberais daqui e
alhures. O
reajuste
será,
como
sempre,
ínfimo,
revoltante e
indigno. O
resto
é
pantomima
circense,
encenada
por
atores
mambembes.
Roriz, o
imperador
de Brasília
O
governador
Roriz será julgado
amanhã (quinta-feira,
29 de
abril)
pela
acusação
de
crime
eleitoral.
Adivinhe, suspicacíssimo
leitor,
qual
será o veredicto? Será
ele
condenado, absolvido, condecorado, o
julgamento será
mais uma
vez
adiado,
sob alegadas
tecnicalidades?
Inusitada
é a
trajetória
política
do
governador
Joaquim Roriz,
desde
quando
engatinhava no
estado de Goiás, ligado ao PT (Partido dos
Traidores),
desde
quando
descoberto,
já
em
Brasília,
pelo
senador
José Sarney.
A
partir
daí, o
governador
do DF vem acumulando
um
vasto
prontuário
de
processos
(inclusive
criminais), acusado de
racismo,
incitação
à
violência,
grilagem
de
terras
públicas (o
mais
famoso
grileiro,
além
de
seu
amigo
é
seu
sócio),
prevaricação,
improbidade
administrativa,
desvio
de
dinheiro
público,
obstrução
da
justiça,
desobediência
civil,
descumprimento de
decisões
judiciais
transitadas
em
julgado (precatórios
de
natureza
alimentícia),
além
de
crimes
de
opinião,
como
calúnia
e
injúria.
Em
2002, o
truculento
governador
declarou
em
público,
alto
e
em
bom
som,
que
qualquer
processo
contra
ele
seria rasgado
pelos
desembargadores
e jogado no
lixo (sic). E
nada
lhe
aconteceu, deixando a
desconfortável
impressão
de
que
é
inimputável,
que
paira
acima da
lei.
A
mesma
lei
que
é aplicada,
dura e
prontamente,
para
que
se cumpram os
impostos feudais, travestidos
em
taxas
absurdas
por
ele
perpetradas
com
a
suspeitosa
cumplicidade
da
maioria
dos
deputados
distritais.
Taxas de
iluminação
pública,
de
varandas,
de
elevadores,
a
famigerada
“vaga
fácil”,
além
da
indústria
da
multa,
com
a
distribuição
marota
de “pardais”
e
outros
sub-reptícios
psitacídeos.
E
como
contrapartida
o
que
temos? A favelização da
capital da
República,
o
espetáculo
deprimente de migrantes vivendo
sob
viadutos,
em
invasões
de quaisquer
terrenos
urbanos,
esmolando
nos
sinais
de
trânsito,
o
assustador
aumento
de
seqüestros,
assaltos,
assassinatos.
Produtos
da
sua
política
demagógica e
irresponsável.
Onde,
a verdadeira
solidariedade
humana
e a
preocupação
social?
Quantos
poderiam se
beneficiar
com
o
que
se gastou
com
viadutos,
com
a
ponte
dos
Remédios,
e –
que
Deus
nos
livre
–
com
a
ameaça
do
trem-bala?
* E
aí,
gentil
leitor,
o
quê
nos
reservará o
amanhã? Haverá
espetáculo?
De todas as
dúvidas
resta
uma
certeza.
Os
palhaços
somos
nós.
Publicado:
28.4.2004
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