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Nelson Marins |
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COVARDES & TRAIDORES |
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Inspirado pelo penúltimo improviso do companheiro presidente Luiz Inácio da Silva, apresto-me em preparar a minha própria lista sobre o assunto em epígrafe.
Enfatizo ao prezado leitor que não considero definitivo o presente rol, que representa apenas a minha visão do momento presente e levando em conta que falta muito tempo para a conclusão do mandato presidencial – o que ensejará muitos outros improvisos. Outrossim, não tive preocupação em obedecer a uma ordem, seja cronológica, seja de importância. Destarte, o que se segue poderá parecer um tanto aleatório. Advirto, igualmente, ao atento leitor que me concedi a liberdade de apensar o termo traidores ao título, antes que tal liberdade – no momento ameaçada – se acabe de vez, posto que segundo insigne ministro a própria Constituição é apenas relativa (?!).
Como denominar o voto do presidente do STF – e dos seus pares que o acompanharam – todos de notório saber jurídico, a favor da “contribuição” de inativos e pensionistas servidores públicos? E que, quase simultaneamente, envia ao Congresso Nacional projeto de lei para aumentar em cerca de 35% os próprios vencimentos e os dos demais ministros?
Como se chama quem legisla em causa própria, como no exemplo acima, e também os congressistas, que já se entusiasmaram com a fabulosa idéia? E que não mais representam seus eleitores – se é que alguma vez o fizeram – e sim a si mesmos e a seus financiadores de campanha, com as exceções cada vez mais excepcionais?
Que nome dar a quem, que por meio de medida provisória, promove o presidente do Banco Central a ministro de Estado, a fim de “blindá-lo”?
Qual a alcunha que se deve aos responsáveis pelas leis “da mordaça” e do “fórum especial”?
Que apodo merecem os portadores da síndrome do pânico advinda de escândalos de companheiros e aliados (abaixo as CPIs, não é mesmo, Waldomiro)?
Como designar os que diuturnamente desrespeitam os idosos, culminando com a obrigatoriedade de entrarem em fila para demonstrar – de corpo presente – que (ainda) estão vivos?
Como se chama quem, através de malabarismos sofísticos, absolve o inimputável governador do Distrito Federal, que, entre outras façanhas, imperialmente ignora decisão transitada em julgado, recusando-se a honrar precatórios alimentares?
Que epíteto conferir a quem expulsou os “radicais” do PT pelo hediondo crime de serem coerentes e continuarem a defender os princípios básicos do Partido?
Como chamar a omissão e a distorção vergonhosas da mídia cooptada?
Qual é o nome de quem se acocora frente ao FMI e aos banqueiros patrícios e internacionais?
Que nomenclatura se aplica a quem usa e abusa de medidas provisórias?
Qual a denominação de quem decidiu a compra do avião presidencial, e que ao contrário do Papa, não se passa para voar em aeronave comercial fretada?
Que classificação merecem os que não hesitaram em jogar ao lixo suas biografias – se é que em algum dia tiveram outra -, ao perpetrarem o maior estelionato eleitoral da história do país?
Como nominar, enfim, os atores deste bando?
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Ao concluir, dois esclarecimentos se fazem imperativos: 1) o significado da palavra bando no presente contexto refere-se a grupo, como bem o explicou o Planalto frente à estupefação de oficiais militares à expressão com que lhes brindou o companheiro Presidente 2) o escrito pelo supra-assinado o foi em tom de gracejo, exatamente como procedeu o companheiro Presidente ao se dirigir a um bando de jornalistas, chamando-os de covardes...
Publicado: 2.9.2004 Ilustração: Foto Marcelo Casals Jr, AN
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